sexta-feira, 17 de julho de 2009

Richard Rorty

"A convicção realista de que deve haver uma autoridade não-humana à qual os homens podem recorrer tem sido, por longo tempo, entremeada ao senso comum do Ocidente. É uma convicção comum a Sócrates e Lutero, a cientistas naturais ateus que dizem amar a verdade e fundamentalistas que dizem amar a Cristo. Acho que seria uma boa ideia reinventar a rede de crenças e desejos compartilhados que compõem a cultura ocidental com o objetivo de nos livrarmos dessa convicção. "

Richard Rorty, Philosophical Papers, Vol. 4

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Contagem Regressiva

Pior dormir, melhor sonhar
No corpo que se quis entrelaçar
A boca que se quis tocar
O tempo que se quis gastar
Eterno não apenas o que durar
Vida efêmera, horas poucas
Por mais que as tenha
No eterno querer e correr
Consome-se o que de valioso há
Na paisagem que passa, na vitrine a fixar
Na eternidade do nada a se conquistar
Na obrigatoriedade do legar
O suor que se quis escorrer
Nas horas que se devia amar
O trabalho, o sucesso, o lar
O filho que se quis acariciar
O compromisso que não se atrasará
Dia qualquer do futuro que talvez não virá
Melhor viver, melhor sentir
Envelhece-se no suspiro a seguir
Uma aquarela a descolorir
Pior chorar, melhor sorrir
Fingir que o tempo não passa
Que tudo nessa vida é graça
E que por enquanto, não é hora de partir.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

E num é que é?!


"O Brasil é o único país onde prostituta tem orgasmo, cafetão tem ciúmes, traficante é viciado e pobre é de direita."

(Tim Maia - Revista Veja em 1990)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Jesus

Quinto filho de uma pobre família, sem qualquer amparo, cresceu Jesus. Seus outros quatro irmãos tinham também nomes bíblicos devido à mãe, cristã fervorosa. Mesmo sem muita escolaridade e incentivo, o menino Jesus cresceu naquele ambiente violento e desprovido, com a curiosidade aguçada e acima da média dos outros jovens de sua idade.
Quando adolescente, muitas idéias lhe vinham à mente. Buscava respostas nos poucos livros que teve contato e nas poucas conversas que tivera com alguns adultos mais estudados do que ele. Intrigava-lhe o ser humano, egoísta e desumano. Acostumado com os tiros de arma de fogo, com a violência, com a polícia, com a morte que rondava cada esquina da favela onde morava, Jesus perdia a esperança nos homens e acreditava que eles realmente não sabem o que fazem. Ia à igreja e ouvia o padre. Em sua percepção, entendeu então, que tudo se resolveria em outra vida. Que esta vida é passageira e que para as pessoas de bom coração, está reservado um ótimo lugar no céu. Porém, Jesus queria uma vida boa aqui, na terra, com sua família e irmãos. Nada de promessas em outro mundo. Outro mundo este, que ele às vezes pensava não existir, pela obviedade de que ninguém que morreu, voltou para relatar. Jesus pensava, como poderia ele, um pobre garoto de favela, mudar a realidade do mundo. Se não fosse de todo ele, pelo menos a do seu bairro. Mas se ainda fosse demais, que mudasse a realidade da sua família... Pensara melhor... Lembrara do irmão mais velho que está na cadeia, da mãe que estava suspeitando de uma nova gravidez e de seu pai desempregado e alcoólatra. Achou melhor se conter e tentar mudar somente a própria vida, pois já seria um feito e tanto.
Jesus escutava a mãe várias vezes, repassando-lhe tudo que escutara nas missas. Mas todo aquele papo de esperança se desmanchava facilmente quando deitava em sua cama, olhava para o teto e pensava na vida. Pensou no tráfico, na religião e na morte. Esta última, às vezes lhe agradava. Soava-lhe um atalho. Já que a coisa se acertará em outra vida, melhor seria se adiantar. Sentia-se covarde, impotente, ignorante. Ouviu mais um tiro ao vento... Desesperou-se não pelo som que ouvia, mas pelo corpo que poderia estar caindo naquele momento. Em seguida, silêncio. Depois, vazio. Sentia que tinha que fazer algo. Não sabia o que. Pensara no futebol que tanto gostava e que por tantas vezes tirou jovens como ele da pobreza e elevou ao estrelato. Não se sentia um craque. Mas sonhava... A escola tinha sido abandonada para trabalhar. Nessa noite dormiu com cansaço mental por tanta reflexão.
Acordou. Era um dia como todos os outros e se viu entre escolhas reduzidas e complexas. Lembrou de um amigo que era espírita e que acreditava em reencarnação. “Este sim é feliz.” Queria Jesus, outra vida, outro lugar, outra época. Decidiu-se. Não teve dúvidas de que entre suas opções, o melhor era servir a Deus. Tornou-se fervoroso como a mãe e esperançoso como o padre. A angústia passou, o sol brilhou e a vida ficou mais leve. Passou a rezar horas por dia, todos os dias. Em pouco tempo, tinha convicção de que fizera a coisa certa e de que tudo se resolveria para ele... Em outra vida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA

Ontem fui assistir a peça “Dois perdidos numa noite suja”.

E dois pode ser um...

Pode ser um artista da terra que nos enche de orgulho.

Pode ser um espetáculo.

Pode ser uma noite muito agradável.

Pode ser um trabalho formidável.

Mas dois, pode ser um reconhecido Plínio Marcos, o autor maldito.

Pode ser uma mesma sala Ceschiati, de antigas histórias e causos.

Pode ser eu e você. Pode ser todos nós.

"Dois"? Pode ter sido três, quatro, cinco, muitos. Mas foi Mauro, Vinicius, Leonardo, Marcelo...

Dois é mal morando na alma, cutucando a carne pra conquistar um pisante, aliás, um não, dois, o direito e o esquerdo. Pisante pra pisar em dois, três, que decidirem cruzar o caminho da gente ou pisante pra caminhar até a ultima estrada sem, pisar em nada... só deixando a vida passar.

Dois, não é matemática, mas ensina a subtrair o desanimo de não conseguir nada. Ensina a somar a vontade, a memória e a alegria de levemente se deixar ser o que você é. Não falo de dois espetáculos, falo de dois encontros, encontro do passado com o presente. Das lembranças com a total falta de certeza do futuro, e das duas almas leves que se deixaram relaxar, tomando um chopp e comendo uma pizza depois do espetáculo.

E "dois", então se tornou uma multidão inteira, mas volta pra casa dentro de mim.

Dois se abandonou em um, deixou a noite suja pra trás.... e começou a brilhar dentro de mim outra vez, porque estava perdida....mas me reencontrei outra vez.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

TUDO PODE SER SIMPLES

Tudo nessa vida pode ser demasiado simples.
E simples é básico. Não requer firulas, arabescos. Não tem exagero. Simples pode ser você. Pode ser um gesto, um teto, um pedaço, um objeto.
Simples pode ser a lua, a boa música, um domingo de preguiça na cama. Simples pode ser mascar chicletes, escovar os dentes, fazer pipi. Simples é o que não complica, simplifica e não pede explicação.
Simples é claro, objetivo, lúcido. Simples é menos, nunca é mais.Simples é amar de novo, dar a volta por cima, ser feliz! Simples é ter fé na vida, não duvidar.Simples é o dia-a-dia, o acordar e o entardecer.
É poder amar e saber perder, não sofrer. Simples é dividir, acompanhar, fazer crescer.Simples é tão simples, que facilmente você pode ser.
Simples não é ter é viver.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ensinamento para uma vida toda...

"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido." (Dalai Lama)